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“Cisne Negro” disserta sobre a dualidade humana

“Cisne Negro” disserta sobre a dualidade humana
Diretor constrói um ambiente sombrio para retratar o duelo

Natália Bellório

Uma das frases mais célebres do cinema é “E o Oscar vai para…”. Alguns filmes são feitos pensados na estatueta e alguns atores sonham com uma na estante de casa. Mas o tão sonhado prêmio é para poucos. As premiações pré-Oscar, como Critics Awards, Globo de Ouro e sindicatos das categorias (edição, montagem, áudio, entre outros) servem como uma preparação para o que se pode esperar da grande celebração cinematográfica. Concorrendo em cinco categorias, um dos destaques da 83ª edição do Oscar 2011, que ocorre no dia 27 de fevereiro no Kodak Theatre, é o filme “Cisne Negro”.

Aclamado pela crítica, o longa conta a história da bailarina Nina (Natalie Portman, a preferida para levar a estatueta de Melhor Atriz), que se dedica totalmente à companhia de balé em que dança. Disciplinada, perseverante e determinada, ela faz de tudo para conseguir o papel principal na peça Cisne Negro, uma montagem nova do famoso “O Lago dos Cisnes”, dirigida por Thomas (Vincent Cassel, “À Deriva”). A peça retrata duas irmãs gêmeas, que no filme é interpretada por uma única bailarina, o Cisne Branco e o Negro, que se apaixonam pelo mesmo homem e no ato final, há uma indecisão daquela em relação ao amor ou ao ódio.

A problemática do filme ocorre quando Nina, que possui toda a doçura, feminilidade e perfeição para fazer o Cisne Branco, não consegue relaxar, seduzir e ter a espontaneidade necessária para fazer o Cisne Negro. Assim, o longa disserta o conflito psicológico, perturbador, tenso e sinistro das personalidades “boa” e “má” de Nina em sua vida. Essa característica faz do gênero do filme ir além de um simples drama qualquer, sendo melhor definido como um suspense psicológico.

O diretor Darren Aronofsky (“O Lutador”) usa e abusa, sem medo do que pode parecer ridículo para algumas pessoas, do imaginário de Nina, para confundir o público entre o que é real e fictício e se sinta na pele da garota, aliado a uma trilha sonora que intensifica e perturba ainda mais o confronto. A perturbação é tamanha que há momentos no filme que não dá para distinguir o que é verdadeiro e o que é imaginado pela bailarina. Natalie Portman, inclusive, está excelente no papel, do qual precisou perder dez quilos para interpretá-lo.

Um objeto que caracteriza a dualidade da personagem, e é usado com frequência no filme, é o espelho. Através dele, dá para sentir um pouco do sacrifício de Nina em sua vida cotidiana, para tornar-se o Cisne Negro da peça. Ela sente dentro dela, como se a ave se debatesse, com desejos emocionais, sexuais e demonstrações físicas na pele da garota, como automutilações e sangramentos pelo corpo. O esforço foi tamanho para que a bailarina conseguisse libertar o oprimido, que quando ela consegue fazê-lo durante a peça, é o ápice do encontro do Cisne Negro com o Branco, como se fossem únicos, desde o começo. Como a própria Nina diz ao final da peça: “Eu senti. Perfeito. Foi perfeito”.

Para o jornalista e cinéfilo, Vinícius Lemos, o diretor de “Cisne Negro” nunca teve tanta destreza em trabalhar em um filme. “É um filme ao mesmo tempo bonito e assustador, filmado com perfeição, atuado com intensidade e de temática sombria. E mesmo com tantos ótimos elementos ainda guarda um final extremamente tocante. Em fevereiro, é provável que já tenhamos assistido ao melhor filme a chegar aos cinemas brasileiros em 2011”, comenta.

Assita ao trailer de “Cisne Negro” abaixo:

Imagem: Omelete

24/02/2011

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